Comunicação Social do MPPR

Consumidor INFORMAÇÃO DE INTERESSE PÚBLICO 01/06/2017

Antibióticos em produtos de origem animal – resistência em humanos

Especialistas em segurança alimentar, vigilância sanitária e microbiologia se reuniram no dia 30/05/2017, no Ministério Público do Paraná, sob a presidência do Procurador de Justiça Dr. Ciro Expedito Scheraiber, Coordenador do Centro de Apoio Operacional das Promotorias de Justiça de Defesa do Consumidor, para discutir medidas de controle e prevenção para o combate da resistência antimicrobiana. O tema do encontro foi sobre ao impacto que o uso de antibióticos em alimentos e produtos de origem animal pode significar para a saúde humana. Foi convidado o microbiologista Dr. Marcelo Pillonetto, do Laboratório Central do Estado do Paraná (LACEN/PR), e também professor e pesquisador da área de resistência na PUCPR, para falar sobre a matéria, oportunidade em que ressaltou pontos críticos, como o fato de que em alguns países, como nos EUA, 70% da produção de antibióticos é direcionado para o uso veterinário. Além disso, o Brasil e a China devem apresentar o maior aumento no consumo de antibióticos para uso veterinário no mundo, até 2030. Outra preocupação é que o uso de antibióticos como promotores de crescimento pode induzir à resistência antimicrobiana em bactérias de origem animal e que estas podem ser facilmente transmitidas para os seres humanos.

Colistina em frangos – maior incidência no Estado do Paraná

A maior preocupação atualmente são as bactérias que apresentam resistência a uma droga chamada colistina: última opção de tratamento para diversos casos de bactérias multirresistentes. Um novo gene que torna bactérias comuns, como a Escherichia coli (presente no intestino de animais e do ser humano), resistentes a esta droga foi descrita na China em novembro de 2015. Em abril de 2016 foi reportada a presença deste gene em 16 isolados de bactérias de origem animal no Brasil. Destes, 12 isolados eram de frangos oriundos do Paraná. A partir de setembro de 2016, o LACEN/PR passou a pesquisar este gene em amostras de humanos, tendo detectado o primeiro caso em dezembro de 2016. Hoje, apenas seis meses após o primeiro caso, já existem 12 isolados em humanos no Paraná, de quatro cidades do Estado.

Proibição da Colistina com a finalidade de aditivo zootécnico melhorador de desempenho na alimentação animal (IN nº 45 de 22/11/2016)

Diante deste cenário, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) publicou, em 30/11/2016, a Instrução Normativa nº 45 proibindo o uso da colistina como promotor de crescimento a ser usado na alimentação animal. Dr. Pillonetto ressaltou, porém, que “apesar desta medida ser muito positiva, a carência de dois anos dada para o consumo de estoque pré-existente pode ser muito complicada. A resistência à colistina em bactérias multirresistentes isoladas de humanos cresceu no Paraná de 11% em 2011 para 37% em 2015. O mesmo pode acontecer com as bactérias de origem animal. Temos que agir de maneira mais eficaz pois a colistina é uma droga criticamente importante para a saúde humana, segundo a própria OMS.”

Conscientização imediata

Para o pesquisador, a população paranaense deve conscientizar-se deste problema e, a exemplo de vários países europeus, começar a exigir que os seus fornecedores, restaurantes e marcas de confiança produzam alimentos de origem animal isentos de antibióticos. Complementando a exposição, Paulo Santana,  chefe do Centro Estadual de Vigilância Sanitária da SESA, comentou ainda que “as autoridades competentes em saúde pública humana e animal devem banir o uso de antibióticos críticos imediatamente e diminuir o uso dos demais antibióticos”. Dr. Pillonetto ressaltou, por fim, que o Paraná sempre foi pioneiro em ações de Defesa do Consumidor e em Segurança Alimentar e que deveria, mais uma vez, liderar as mudanças e mostrar a importância da Saúde Única (One Health), proposta que deixa clara o impacto que a saúde animal e ambiental exerce sobre a saúde humana.



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